Chefe do CV em bairros de Cuiabá-MT, “Herdeiro” tenta liberdade com alegação de extorsão no TJ, mas pedido é negado

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Chefe do CV em bairros de Cuiabá-MT, “Herdeiro” tenta liberdade com alegação de extorsão no TJ, mas pedido é negado

Preso por liderança de facção, acusado tenta se beneficiar de suposta extorsão envolvendo o pai, mas ministro do STJ manteve prisão preventiva

O homem conhecido como "Herdeiro” — apontado como chefe de uma célula do Comando Vermelho (CV) responsável pela distribuição de drogas e arrecadação de valores ilícitos em grandes bairros de Cuiabá, como Bela Vista, CPA, Carumbé e Planalto — teve seu pedido de liberdade indeferido por um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) depois de alegar que seu pai teria sido alvo de extorsão no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A defesa usou essa suposta irregularidade para tentar revogar a prisão preventiva, mas a Justiça não acatou o argumento.

De acordo com a denúncia, “Herdeiro” foi preso por liderar o fornecimento, a distribuição e a arrecadação de valores ilícitos ligados ao tráfico de drogas em bairros estratégicos da capital mato-grossense — um papel que o tornaria um dos principais articuladores do CV na região. O pedido de liberdade, porém, teve como base um suposto episódio de extorsão envolvendo seu pai e uma decisão do TJMT, algo que o advogado buscou usar para questionar a legalidade de sua prisão.

O ministro do STJ que analisou o caso entendeu que a alegação não é suficiente para alterar a decisão que mantém “Herdeiro” preso, ressaltando que a custódia preventiva está fundamentada em elementos concretos que indicam o risco à ordem pública e a periculosidade do investigado, especialmente pela suposta liderança dentro de uma organização criminosa envolvida com tráfico, extorsões e outras práticas ilícitas.

Especialistas em direito penal ouvidos por veículos locais destacam que, em casos de crime organizado, a prisão preventiva costuma ser mantida quando há indícios robustos de que o acusado exerce influência sobre a facção ou risco de continuidade das atividades criminosas. Para a criminóloga Ana Rosa Silva, “a Justiça busca evitar que líderes de facções continuem a operar de dentro da prisão, seja por comunicação com comparsas ou por vínculos familiares que podem facilitar novas ações.”

Já o advogado criminalista Marcos Toledo, que não atua no caso, ressalta que “alegações de irregularidades processuais ou administrativas envolvendo terceiros — como o pai do acusado — precisam estar muito bem documentadas e diretamente ligadas aos autos para terem impacto em decisões de prisão preventiva, o que não parece ter ocorrido aqui”.

O caso segue sob sigilo parcial e as autoridades mantêm a investigação sobre o grupo criminoso, com foco nas conexões entre líderes de facções, redes de arrecadação de valores e o impacto dessas ações na segurança pública de Cuiabá e região metropolitana.