Escalada das investigações provoca inquietação entre investidores, que veem risco maior à confiança do que contágio financeiro real
A crescente turbulência em torno do Caso Banco Master voltou a preocupar o mercado financeiro brasileiro nas últimas semanas, embora especialistas ouvidos por agentes econômicos destaques que os efeitos mais imediatos residem na confiança dos investidores e não numa ameaça sistêmica ao setor financeiro.
O alerta foi acendido após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, que envolveu mandados de busca e apreensão contra figuras como o empresário Daniel Vorcaro e o investidor Nelson Tanure, bem como a decisão do Banco Central em liquidar a corretora Reag Trust/CBSF por violar normas prudenciais — entidade que, apesar de ligada ao ambiente do Master, responde por uma fatia ínfima (menos de 0,001%) dos ativos do sistema financeiro nacional.
Analistas e gestores consultados destacam que a maior preocupação hoje é a chamada crise de confiança. A revelação de novos capítulos da investigação, as idas e vindas de decisões judiciais e a incerteza sobre desdobramentos jurídicos — incluindo a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e o envio de provas à Procuradoria-Geral da República — alimentam a percepção de insegurança jurídica e potencial aversão ao risco.
Para especialistas como Hugo Queiroz, diretor da L4 Capital, a reação dos mercados não se traduz necessariamente em contaminação ampla do sistema financeiro, mas pode reduzir aportes, elevar prêmios de risco e tornar investidores mais cautelosos em emissões de dívida e outros ativos.
Uma parte do desconforto dos investidores também decorre da dimensão estimada das possíveis irregularidades associadas ao Master, que já envolveram bloqueio de bilhões de reais em ativos e a expectativa de que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) pague cerca de R$ 41 bilhões para reembolsar clientes lesados. Ainda assim, essa magnitude não é vista como capaz de desencadear um efeito dominó no SFN (Sistema Financeiro Nacional), justamente por a instituição representar uma parte relativamente pequena do sistema como um todo.
Outros especialistas apontam que o episódio pode até trazer lições para o setor, reforçando os mecanismos de governança, transparência e regulação, sem, no entanto, gerar um colapso financeiro generalizado — ainda que os impactos reputacionais e de confiança possam permanecer por mais tempo.
Em suma, a escalada do caso Banco Master assusta mais pela incerteza e risco jurídico que impõe à percepção do mercado do que por um risco concreto de contágio no sistema financeiro brasileiro — um fenômeno que tende a ser acompanhado de perto por investidores, reguladores e operadores nos próximos meses.