“Careca do INSS”: quem é e qual o papel dele nas fraudes do INSS

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“Careca do INSS”: quem é e qual o papel dele nas fraudes do INSS

Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido na imprensa e nas investigações como “Careca do INSS”, é um empresário e lobista apontado como figura central no esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos indevidos de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), investigado pela Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF) e pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

O esquema apurado aponta que o “Careca do INSS” atuava como intermediário para sindicatos, associações e empresas que realizavam descontos não autorizados nos benefícios dos aposentados e pensionistas, captando recursos por meio de cobranças fraudulentas e redistribuindo valores a colaboradores, familiares e agentes públicos.

Segundo investigações da PF, pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao Careca do INSS receberam mais de R$ 53 milhões diretamente de associações associativas ou por meio de empresas controladas por ele, muitos dos quais são suspeitos de serem oriundos de descontos ilegais.

O “Careca do INSS” foi um dos principais alvos da Operação Sem Desconto, ocorrida em abril de 2025, que resultou em prisões e apreensões de carros de luxo e outros bens ligados a ele, além da descoberta de estruturas empresariais complexas para ocultação de patrimônio — incluindo operações suspeitas no exterior, como offshores nas Ilhas Virgens Britânicas.

Em setembro de 2025, a Polícia Federal prendeu Antônio Carlos Camilo Antunes em Brasília, em uma fase da operação que buscava desarticular a suposta organização criminosa responsável pelos desvios e fraudes contra aposentados e pensionistas em vários estados.

No âmbito da CPMI do INSS, o “Careca do INSS” também prestou depoimento, no qual negou participação direta nas fraudes e afirmou que apenas prestava serviços, rejeitando as acusações do relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

Outras apurações na comissão deram sequência ao confronto de versões, como acareações com advogados que denunciaram o esquema e pedidos de prisão preventiva para colaboradores e intermediários associados a Antunes.

Investigações recentes também apontaram possíveis pagamentos de R$ 300 mil que o “Careca do INSS” teria requisitado para uma empresa ligada à empresária Roberta Luchsinger, em mensagens apreendidas pela PF, embora não haja comprovação de que tais valores tenham relação direta com descontos indevidos no INSS.

O papel do “Careca do INSS” no caso, portanto, é o de suspeito articulador e facilitador de um esquema complexo e multibilionário de desvio de recursos previdenciários, com ramificações que atingem empresários, intermediários e possíveis relações com pessoas próximas a autoridades — todos ainda sob investigação e sem sentença definitiva na Justiça.