Com alta de quase 90%, medicamentos como Ozempic e Mounjaro movimentam bilhões e deixam equipamentos eletrônicos para trás na balança comercial
O Brasil vive uma transformação surpreendente em sua balança comercial: importou mais “canetas emagrecedoras” — medicamentos à base de GLP-1 como Ozempic e Mounjaro — do que telefones celulares no ano passado, refletindo uma explosão de demanda por tratamentos farmacêuticos para obesidade e diabetes tipo 2. Dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento indicam que as compras dessas medicações somaram US$ 1,669 bilhão em 2025, um salto de 88% em relação a 2024.
O fenômeno, que atrai atenção tanto de economistas quanto de especialistas em saúde pública, coloca o Brasil entre os maiores mercados globais para esse tipo de medicamento. Levantamentos mostram que o país é o segundo que mais pesquisa por Ozempic e Mounjaro no mundo, segundo dados de plataformas de busca.
A dinâmica por trás desse aumento está no rápido interesse dos brasileiros por tratamentos que, além de controlar a glicose em pacientes com diabetes, também promovem redução de peso significativa — um efeito que impulsionou a adoção “off-label” desses remédios em clínicas e entre médicos.
Com a falta de produção nacional desses medicamentos, o País depende quase totalmente de importações, lideradas pela Dinamarca — país sede da Novo Nordisk, fabricante do Ozempic — e pelos Estados Unidos, onde a Eli Lilly produz o Mounjaro.
Esse cenário econômico tem repercussões importantes: o volume de importações dessas “canetas emagrecedoras” já supera categorias tradicionais de consumo importado, como salmão, azeite de oliva e, agora, eletrônicos como celulares.
Para especialistas de mercado, a tendência ainda deve se ampliar nos próximos anos — especialmente com a previsão de quebra de patente da semaglutida (princípio ativo de Ozempic) e a entrada de versões genéricas que devem baratear os preços e ampliar o acesso.
No curto prazo, a descoberta de um comportamento de consumo tão intenso levanta questões sobre impactos na balança comercial, políticas de saúde pública e acesso a tratamentos de ponta em um país onde obesidade e diabetes são problemas epidemiológicos relevantes.
O fenômeno das “canetas emagrecedoras” já não é apenas uma curiosidade de mercado — tornou-se um elemento significativo da economia brasileira, invertendo expectativas tradicionais sobre o que o país importa e consumirá nos próximos anos.