BRT em Cuiabá e Várzea Grande-MT: avanços tímidos em 2025 e expectativas adiadas para 2026

· 2 min de leitura
BRT em Cuiabá e Várzea Grande-MT: avanços tímidos em 2025 e expectativas adiadas para 2026

As contínuas mudanças na mobilidade urbana causadas pelas obras do BRT (Bus Rapid Transit) em Cuiabá e Várzea Grande marcaram 2025 como mais um ano de avançar em meio a paralisações, impasses contratuais e desafios no cronograma, e ampliaram as expectativas da população quanto à conclusão do projeto, que ainda não tem data certa de entrega e segue como um sonho para 2026.

O projeto, idealizado para modernizar o transporte coletivo e conectar dois municípios metropolitanos, prevê dois corredores de ônibus rápido de alta capacidade, com estações e integração urbana. Entretanto, ao longo do ano, diversas paralisações, a **rescisão contratual com o Consórcio BRT — responsável inicialmente pela obra — e a decisão de nova licitação para completar o segundo trecho, que liga o Terminal do Coxipó à Praça Santos Dumont, prolongaram o cronograma.

No início de 2025, o governador Mauro Mendes (União Brasil) classificou como “inadmissível” a lentidão das obras, reunindo-se com autoridades para tentar acelerar o andamento. As notificações à empreiteira responsável ultrapassaram 50 registros ao longo do processo, segundo a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), que acabou rompendo o contrato por descumprimento de prazos e falhas na execução.

Após negociações, o estado firmou acordo para finalizar trechos já iniciados — especialmente na Avenida do CPA até o terminal de Várzea Grande — e pretende licitar separadamente o segundo eixo do BRT, um movimento que adiciona etapas e potencialmente estende ainda mais o cronograma original.

O andamento das obras também impactou a mobilidade urbana, com interdições, alterações de tráfego e transtornos em vias importantes de Cuiabá, agravados por chuvas que transformaram trechos em áreas lamacentas e dificultaram deslocamentos da população.

Além das dificuldades viárias, comerciantes relataram queda no faturamento de até 36% nas áreas afetadas pelas obras, segundo levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), que também apontou demissões no setor vinculadas à falta de um cronograma atualizado.

Para 2026, apesar dos avanços pontuais e da continuidade das frentes de trabalho, a obra do BRT permanece sem prazo definido para a conclusão total. O atual secretário de Infraestrutura e Logística tem evitado cravar datas oficiais, ressaltando que a fiscalização conjunta da Sinfra e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) seguirá acompanhando o progresso das intervenções.

Com isso, a mobilidade urbana segue sendo um dos principais debates entre moradores, comerciantes e gestores públicos, na expectativa de que, no próximo ano, ocorram entregas concretas e maior eficiência no transporte coletivo metropolitano.