Brasil terá declínio populacional em alguns estados e mudanças demográficas podem impactar economia local e regional

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Brasil terá declínio populacional em alguns estados e mudanças demográficas podem impactar economia local e regional

O Brasil caminha para uma nova etapa de sua dinâmica demográfica, que terá impactos profundos na economia local e regional, com alguns estados começando a apresentar declínio populacional já nas próximas décadas. As projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de analistas especializados indicam que o país chegará a um pico populacional por volta de 2041, seguido por um período de redução populacional nacional — mas os efeitos serão desiguais entre as unidades federativas.

Estados com queda populacional antes da média nacional

Segundo as projeções populacionais mais recentes do IBGE, a redução populacional no Brasil não será homogênea. Estima-se que Rio Grande do Sul e Alagoas sejam os primeiros estados a registrar queda populacional, já a partir de 2027, seguidos pelo Rio de Janeiro em 2028. Já Santa Catarina e Roraima tenderiam a começar a encolher apenas por volta de 2064. Mato Grosso, por sua vez, deve manter crescimento demográfico até bem mais adiante, possivelmente após 2070.

Outros estudos internacionais apontam que essa tendência já vem sendo observada em diversas economias ao redor do mundo — devido à queda da fecundidade e ao envelhecimento demográfico — fatos que alteram profundamente a composição etária e os padrões de crescimento populacional.

Por que isso ocorre?

O principal motor dessa mudança demográfica é a redução da taxa de fecundidade, que no Brasil caiu de 2,32 filhos por mulher em 2000 para cerca de 1,57 em 2023, muito abaixo do nível de reposição populacional. Além disso, a população brasileira está envelhecendo rapidamente, com um número crescente de pessoas idosas e uma proporção menor de jovens — reflexos que modificam a estrutura etária do país.

A migração interna também desempenha papel importante: estados economicamente mais dinâmicos tendem a atrair moradores de unidades com menor oferta de emprego, enquanto regiões com menos oportunidades perdem população.

Impactos econômicos e sociais

Economistas e especialistas em políticas públicas alertam que o declínio populacional pode trazer efeitos significativos:

  • Mercado de trabalho e consumo: Uma população menor e mais envelhecida tende a reduzir a força de trabalho disponível, o que pode frear o crescimento econômico local e reduzir a demanda por bens e serviços em algumas regiões. Estados como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro podem enfrentar redução da base de consumo interno e desafios em setores como comércio, serviços e mercados imobiliários.
  • Serviços públicos e previdência: Com mais idosos e menos jovens contribuindo, a pressão sobre sistemas de saúde pública e previdência tende a aumentar, exigindo ajustes fiscais e reformas nos programas sociais para manter a sustentabilidade.
  • Planejamento urbano e infraestrutura: Cidades em encolhimento podem enfrentar desafios para manter infraestrutura, transporte e serviços básicos de forma eficiente, ao mesmo tempo em que reconfiguram investimentos para áreas de maior crescimento demográfico.
  • Disparidades regionais: Regiões que mantêm crescimento populacional — como partes do Centro-Oeste ou Norte — podem atrair mais investimentos, enquanto estados em declínio precisam de estratégias para retensão de talentos e inovação econômica.

Reações e perspectivas

Para especialistas em desenvolvimento regional ouvidos pela reportagem, o fenômeno coloca no centro das políticas públicas a necessidade de planejamento a longo prazo, que combine incentivos à natalidade, educação, atração de investimentos e políticas de integração inter-regionais. Eles reforçam que a demografia afeta diretamente a competitividade econômica, o mercado de trabalho e as contas públicas.

Em resumo, apesar de ainda haver crescimento populacional em grande parte do Brasil hoje, as projeções indicam que alguns estados começarão a perder habitantes nas próximas décadas, um processo que poderá reformatar a economia local e regional e que desafia gestores e formuladores de políticas a se adaptarem a um novo cenário demográfico.