Estratégia pioneira com imunizante de dose única começa em três cidades para avaliar impacto na transmissão da doença e ampliar proteção no SUS
O Ministério da Saúde iniciou neste sábado (17/1) uma importante estratégia piloto de vacinação contra a dengue utilizando a primeira vacina 100% brasileira, desenvolvida pelo Instituto Butantan — um imunizante de dose única com potencial de mudar o enfrentamento de uma das principais arboviroses que incidem no país. A aplicação começou nos municípios-piloto de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) e, a partir de domingo (18/1), se estenderá também a Botucatu (SP).
A iniciativa faz parte de um plano de monitoramento e avaliação do impacto da vacina na dinâmica de transmissão da dengue nas comunidades, reunindo evidências para uma possível ampliação da estratégia em nível nacional, conforme divulgado pelo Ministério da Saúde. A campanha contempla pessoas de 15 a 59 anos, com a imunização sendo realizada em unidades básicas de saúde (UBSs) e pontos extras definidos pelas secretarias municipais de saúde.
A vacina, chamada Butantan-DV, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2025 e representa um marco científico: é a primeira do mundo contra dengue aplicável em dose única, facilitando a adesão da população e a logística das campanhas. Estudos clínicos demonstraram eficácia global de cerca de 74,7% contra a doença sintomática, com proteção superior a 90% contra formas graves e hospitalizações.
Para os gestores de saúde pública, a vacinação piloto é um passo histórico na luta contra a dengue, doença endêmica no Brasil que, em anos recentes, provocou milhões de casos e milhares de hospitalizações e mortes. A superfície epidemiológica da doença — impulsionada pelo mosquito Aedes aegypti — tem sido um desafio constante, especialmente em períodos de chuva e temperaturas elevadas.
Ao longo de um ano, especialistas acompanharão a incidência de casos nos municípios selecionados, além de monitorar possíveis eventos adversos após a vacinação. A metodologia de avaliação remete a estratégias já adotadas em outras campanhas de vacinação em massa, como a testada em Botucatu durante a pandemia de Covid-19 para aferir a efetividade de imunizantes.
A produção inicial conta com 1,3 milhão de doses da Butantan-DV, suficientes para imunizar a população-alvo nesses três municípios, e a expectativa é de que, com a ampliação da fabricação em parceria com a empresa internacional WuXi Vaccines, a cobertura possa crescer substancialmente em 2026 e anos seguintes.
Especialistas em saúde pública e autoridades nacionais consideram essa etapa piloto um divisor de águas na prevenção da dengue no Brasil, abrindo caminho para uma campanha massiva no SUS e potencialmente reduzindo o peso da doença sobre os sistemas de saúde e as comunidades.