Brasil continua profundamente polarizado, mas pesquisa Datafolha revela paradoxos

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Brasil continua profundamente polarizado, mas pesquisa Datafolha revela paradoxos

O Brasil segue imerso em um ambiente de forte polarização política, com grande parte da população identificando-se com um dos dois principais polos do debate nacional: o ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a mais recente pesquisa do instituto Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (24), cerca de 74% dos brasileiros afirmam se enquadrar em algum dos dois lados da polarização — com 40% identificando-se com o campo petista e 34% com o bolsonarista.

O levantamento foi realizado entre 2 e 4 de dezembro, ouviu 2.002 pessoas em 113 municípios e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Entre os entrevistados, 18% se declararam neutros, 6% disseram não apoiar nenhum dos dois grupos e 1% não soube responder.

A pesquisa mostra que os petistas retomaram a dianteira na identificação política numérica após um período de empate técnico no levantamento anterior, realizado no fim de julho. Naquele recorte, 39% se declararam próximos ao PT e 37% ao bolsonarismo — números que, apesar de estarem dentro da margem de erro, agora dão vantagem aos apoiadores de Lula.

Características do eleitorado polarizado revelam diferentes perfis de apoio. O petismo tem maior adesão entre mulheres, aposentados, pessoas com menor escolaridade e moradores do Nordeste. Já o bolsonarismo predomina entre homens, empresários, pessoas com renda mais alta, evangélicos e habitantes da região Sul do país. Além disso, a polarização é mais intensa entre os eleitores com 60 anos ou mais, onde 84% se identificam com um dos dois campos — 46% com Lula e 38% com Bolsonaro.

Apesar de o campo petista ser numericamente maior que o bolsonarista, outro dado da pesquisa revela um paradoxo na autodeclaração ideológica brasileira. Quando questionados de forma tradicional sobre sua posição no espectro político, 35% dos entrevistados se definem como de direita, contra 22% que se dizem de esquerda. Outros segmentos se distribuem entre centro-esquerda, centro e centro-direita, e uma parcela significativa não soube responder, o que aponta para um eleitorado com identidades políticas complexas que não se reduzem apenas ao confronto entre Lula e Bolsonaro.

A pesquisa foi realizada após momentos politicamente marcantes neste ano, incluindo a prisão e condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e sua consequente prisão domiciliar e preventiva por descumprimento de medidas cautelares — fatores que reverberam no debate político e influenciam percepções eleitorais.

Esse cenário abre pistas sobre as dinâmicas eleitorais de 2026, com Lula aparecendo em posições confortáveis nas intenções de voto tanto no primeiro quanto no segundo turno em levantamentos paralelos, e uma base bolsonarista que, apesar de numericamente menor, segue expressiva e influente na configuração política brasileira.

Em resumo, o Brasil permanece polarizado — mas com nuances que ultrapassam o simples embate entre dois líderes políticos — refletindo um eleitorado que navega entre identificações partidárias, posicionamentos ideológicos e fatores eleitorais práticos.