Brasil amarga segunda maior saída de dólares da história e acende alerta na economia

· 2 min de leitura
Brasil amarga segunda maior saída de dólares da história e acende alerta na economia

Brasília — O Brasil registrou em 2025 a segunda maior saída líquida de dólares desde o início da série histórica, em 1982, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central (BC). O fluxo cambial total ficou negativo em cerca de US$ 33,3 bilhões, um resultado superado apenas pelo observado em 2019, quando o saldo negativo atingiu US$ 44,8 bilhões.

Esse saldo negativo representa um sistema financeiro que envia mais dólares para fora do país do que recebe, num fenômeno conhecido como capital flight ou fuga de capitais. A fuga em 2025 foi impulsionada principalmente pelo canal financeiro, que acumulou uma saída líquida de US$ 82,5 bilhões, incluindo investimentos estrangeiros retirados, remessas de lucros e pagamento de juros para o exterior.

Apesar da forte saída de divisas, o real se valorizou ao longo do ano, sustentado por juros elevados no Brasil e pela queda do dólar no mercado internacional, situação que atraiu posições favoráveis à moeda brasileira mesmo diante do fluxo cambial negativo.

Por que isso importa

A saída líquida de dólares reflete dificuldades de manter investimentos no país e pode ser interpretada como sinal de insegurança ou busca de retornos maiores no exterior por parte de investidores e empresas — tanto estrangeiros quanto nacionais. Grandes remessas de lucros para fora, antecipação de pagamentos ao exterior e retração de investimentos são alguns dos fatores que podem ter contribuído para esse cenário.

Economistas observam que esse tipo de fluxo pode afetar o mercado de capitais, pressionar decisões sobre política monetária e influenciar a capacidade do Banco Central de atuar no câmbio, pois uma menor entrada de dólares pode reduzir margens de manobra em momentos de volatilidade.

Canal comercial ainda positivo

O componente comercial do câmbio, que considera exportações e importações, teve entrada líquida de US$ 49,15 bilhões, impulsionada por US$ 287,5 bilhões em exportações e US$ 185,8 bilhões em importações — um resultado positivo, mas insuficiente para compensar a saída financeira de recursos.

Especialistas também destacam que dezembro teve fluxo cambial negativo de cerca de US$ 13,6 bilhões, menor do que no mesmo mês do ano anterior, quando a saída foi mais intensa, possivelmente por antecipação de remessas ao exterior em razão de alterações tributárias planejadas a partir de 2026.

Efeitos na economia

Uma saída significativa de dólares pode impactar diversos indicadores econômicos, como investimento estrangeiro direto (IED), confiança empresarial e custo do crédito internacional, além de potencialmente pressionar o câmbio em momentos de instabilidade externa. Também aumenta a atenção de analistas sobre políticas fiscais e monetárias que podem incentivar ou desestimular a permanência de recursos no mercado brasileiro.

O dado chama atenção num momento em que o Brasil ainda busca recuperar níveis elevados de investimento e produtividade, frente a desafios como incertezas no crescimento da indústria e consumo interno.

A fuga de capitais em 2025 coloca o Brasil em uma posição delicada no cenário financeiro global, exigindo adaptações de política econômica para atrair e reter investimentos, fortalecer a confiança e mitigar os efeitos de fluxos cambiais adversos no médio prazo.