Nesta segunda-feira (29 de dezembro de 2025), parlamentares alinhados ao bolsonarismo e à oposição ao governo federal protocolaram um novo pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, alimentando uma das mais intensas disputas entre o Legislativo e o Judiciário nos últimos anos.
O documento, apresentado pela bancada oposicionista na Câmara dos Deputados, acusa Moraes de suposto conflito de interesses e crime de responsabilidade por contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em meio à intervenção e liquidação do banco Master — fatos que teriam sido noticiados pela imprensa e negados pelo próprio ministro e pela autoridade monetária.
Base política e articulação
Segundo líderes do PL e de outros partidos da oposição, o pedido já conta com mais de 100 assinaturas de deputados e 14 senadores, e a intenção é ampliar esse número para cerca de 200 parlamentares antes do início dos trabalhos legislativos em fevereiro de 2026. O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), afirmou que a articulação busca fortalecer politicamente a peça antes de enviá-la ao presidente do Senado Federal, responsável por decidir sobre o prosseguimento ou não do processo.
Além do impeachment, os opositores também trabalham para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigue supostas irregularidades no caso do Banco Master, ampliando a pressão sobre o ministro e sobre o STF.
Histórico de tentativas e polarizações
Este novo pedido não é o primeiro movimento de bolsonaristas e parlamentares da direita contra Alexandre de Moraes. Desde a gestão de Jair Bolsonaro, dezenas de representações por impeachment foram apresentadas, incluindo um pedido protocolado por Bolsonaro em 2021, quando ele ainda era presidente, após decisões judiciais que afetaram aliados políticos do mandatário.
Em meados de 2025, outra iniciativa de impeachment contou com 41 assinaturas no Senado, mas não avançou para votação formal, refletindo as dificuldades legais e políticas de remover um ministro do STF — uma prática que nunca foi concretizada na história recente do país.
Limites e desafios jurídicos
Especialistas em direito constitucional lembram que a abertura de um processo de impeachment contra um ministro do STF exige critérios técnicos e políticos rigorosos, e que frequentemente pedidos dessa natureza acabam sendo mais instrumentos de pressão política do que iniciativas com robusto respaldo jurídico. Enquanto isso, ministros do STF e associações de magistrados defendem que decisões judiciais devem ser contestadas em instâncias próprias, e não por meio de processos políticos, para preservar a independência do Judiciário.
Cenário político e institucional
O episódio insere-se em um contexto mais amplo de tensões entre poderes no Brasil, com o STF no centro de investigações relevantes — como a Operação Lesa Pátria, que mira grupos e líderes envolvidos no ataque às instituições em 8 de janeiro de 2023 — e com setores políticos questionando a atuação da Corte em temas sensíveis nas eleições de 2026.
Resta agora aguardar se o presidente do Senado acatará o pedido de impeachment e se a iniciativa avançará nas casas legislativas, num contexto em que a política brasileira segue profundamente polarizada e institucionalmente tensionada.