Bancada de Mato Grosso vota cada vez menos com Lula: evolução de 2023 a 2025

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Bancada de Mato Grosso vota cada vez menos com Lula: evolução de 2023 a 2025

Levantamentos de 2023 a 2025 mostram queda constante no apoio da bancada mato-grossense às pautas do Executivo; média nacional é de 72%

A bancada de Mato Grosso na Câmara dos Deputados consolidou-se, até o final de 2025, como uma das mais resistentes à agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o Radar do Congresso, apenas 46% das votações dos parlamentares do estado foram favoráveis ao governo, enquanto a média nacional ficou em torno de 72%.

O dado confirma uma tendência iniciada em 2023: o distanciamento crescente entre o Planalto e os representantes de um dos estados mais alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que obteve cerca de 65% dos votos em Mato Grosso no segundo turno de 2022.

Evolução do apoio da bancada (2023–2025)

AnoAlinhamento médio com o governo LulaPosição nacional da bancada
202355%19ª mais alinhada
202449%6ª mais opositora
202546%3ª mais opositora

Fontes: Radar do Congresso, Olhar Direto, Congresso em Foco (2025)

Alinhamento individual dos deputados federais de Mato Grosso (2025)

DeputadoPartidoAlinhamento com o governo LulaPosição política predominante
José MedeirosPL25%Oposição firme; base bolsonarista
Coronel AssisUnião Brasil27%Crítico ao governo; apoia pautas de segurança
Nelson BarbudoPL28%Oposição; defensor do agronegócio
Amália BarrosPL31%Pauta conservadora; resistência ideológica
Abílio BruniniPL35%Oposição radical; foco em transparência e gasto público
EmanuelzinhoMDB52%Moderado; votos pontuais com o governo
Juarez CostaMDB59%Tendência centrista; negocia apoio em pautas econômicas
Fábio GarciaUnião Brasil48%Apoia projetos econômicos, mas vota contra temas sociais
Gisela SimonaUnião Brasil61%Postura independente; alinha-se em políticas de consumo
Coronel FernandaPL24%Votação sistemática contra o governo

Média geral da bancada: 46%
(Fontes: Radar do Congresso, RDNews, Gazeta Digital)

Um retrato de oposição ideológica e pragmatismo regional

A análise dos números revela que a oposição da bancada de Mato Grosso ao governo Lula não é apenas ideológica, mas também eleitoral. A maioria dos parlamentares construiu sua base política sobre pautas conservadoras, agronegócio e segurança pública, que colidem com parte das diretrizes do atual governo federal.

Mesmo assim, há exceções de pragmatismo. Deputados como Juarez Costa (MDB) e Gisela Simona (União Brasil) têm histórico de cooperação pontual em projetos de infraestrutura e programas de crédito agrícola — áreas consideradas de “interesse regional”.

“O eleitor mato-grossense tende a valorizar políticos que mantêm distância do PT, mas esperam resultados práticos em emendas e obras. Isso força alguns parlamentares a uma oposição calculada, e não absoluta”, explica o cientista político Lucas Boaventura, da UFMT.

Especialistas também apontam que o baixo alinhamento com o governo não significa isolamento político, já que muitos deputados de MT ocupam posições estratégicas em comissões e relatorias.

“É uma bancada de oposição, mas com trânsito institucional. O Planalto precisa deles para avançar em votações econômicas e orçamentárias”, avalia Thaís Figueiredo, analista do Congresso em Foco.

Com a aproximação das eleições municipais de 2026 e o acirramento do cenário político nacional, a tendência é que Mato Grosso mantenha esse perfil de oposição firme, reforçando sua identidade como um dos estados mais à direita do país e menos alinhados ao governo Lula.

Em Brasília, o comportamento da bancada é visto como um termômetro do eleitorado conservador do Centro-Oeste, que segue sendo um desafio para o Palácio do Planalto conquistar nos próximos anos.