A discussão sobre o aumento do número de deputados federais no Brasil, tema que pode impactar diretamente a bancada de Mato Grosso, está em curso no Congresso Nacional desde 2025 e envolve decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), propostas legislativas e vetos presidenciais.
A questão começou com uma determinação do STF, que em 2023 cobrou do Congresso a revisão da distribuição de vagas na Câmara dos Deputados com base nos dados do Censo 2022, ainda não refletidos na legislação vigente desde 1993. A Constituição prevê que o número total de deputados e sua alocação por estado deve acompanhar a variação populacional, com limites mínimos e máximos de representação.
Para atender à medida, parlamentares aprovaram em 2025 o Projeto de Lei Complementar (PLP) 177/23, que aumenta o total de deputados federais de 513 para 531, criando 18 novas cadeiras a partir da legislatura de 2027 — ou seja, nas eleições de 2026 — para acomodar estados que cresceram em população, entre eles o Mato Grosso, que teria mais duas vagas federais.
A proposta, no entanto, não seguiu um cálculo puramente proporcional: para evitar que estados perdessem representantes sob a fórmula tradicional, o Congresso optou por ampliar o total de vagas mantendo todas as bancadas atuais e adicionando novos assentos nos estados em alta demográfica.
Apesar da aprovação em ambas as Casas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o projeto em julho de 2025, argumentando que o aumento contrariava o interesse público e implicaria em gastos adicionais sem previsão orçamentária adequada. O veto abriu um novo capítulo na disputa: o Congresso pode derrubá-lo ou manter a decisão da Presidência.
Nesse cenário, a bancada federal de Mato Grosso — composta atualmente por oito deputados — precisa desempenhar papel estratégico, buscando articulação com bancadas de outros estados do Centro-Oeste e do Norte para pressionar o presidente da Câmara, Hugo Mota, e os líderes partidários a pautarem a derrubada do veto presidencial.
Deputados mato-grossenses argumentam que o estado cresceu significativamente nas últimas décadas, mas mantém a mesma representação de trinta anos atrás, o que reduz seu peso político e sua capacidade de defender recursos e projetos federais.
Segundo parlamentares, a derrubada do veto é essencial para corrigir distorções de representatividade e garantir que o crescimento populacional e econômico de Mato Grosso se reflita no número de cadeiras na Câmara dos Deputados. “O estado tem importância nacional na produção agropecuária e merece uma voz proporcional no Congresso”, defendem líderes da bancada.
Se o veto for mantido, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderá conduzir a redistribuição das vagas com base no Censo, mas sem aumento total de assentos, o que poderia deixar Mato Grosso com menor ganho político do que o previsto no PLP 177/23.
Em resumo, a ampliação das cadeiras ainda não está totalmente definida, dependendo dos próximos passos do Congresso em relação ao veto presidencial, mas a expectativa é que Mato Grosso possa ter mais representantes na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa a partir de 2027, refletindo seu crescimento populacional e econômico.