Análise do primeiro ano de Abílio Brunini à frente da Prefituira de Cuiabá-MT

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Análise do primeiro ano de Abílio Brunini à frente da Prefituira de Cuiabá-MT

No encerramento de 2025, o primeiro ano de Abílio Brunini (PL) à frente da Prefeitura de Cuiabá pode ser resumido como um período de rupturas, ajustes fiscais profundos e forte protagonismo político, marcado por escolhas que dividiram opiniões e tiveram impacto direto na vida dos cuiabanos.

Desde que assumiu a prefeitura em 1º de janeiro de 2025, Brunini adotou um discurso assertivo sobre a crise financeira herdada das gestões anteriores, afirmando que a cidade estava “quebrada”, apesar de receber um orçamento histórico de cerca de R$ 5,4 bilhões. Essa narrativa pautou uma série de cortes de despesas e reorganização da máquina pública, com o objetivo declarado de recuperar o equilíbrio fiscal.

Nos primeiros 100 dias, a administração priorizou ações visíveis de zeladoria urbana — como o recolhimento de lixo e operação de tapa-buracos — e cumpriu uma de suas promessas de campanha ao extinguir a taxa do lixo para residências, gesto que lhe rendeu capital político junto à população.

No entanto, esse foco em austeridade também trouxe custos políticos e sociais. A área da educação foi um dos pontos mais sensíveis, com remanejamento de recursos originalmente destinados a reformas em escolas para garantir o pagamento de direitos trabalhistas, gerando críticas de educadores e vereadores.

A saúde municipal igualmente permanece como um dos maiores desafios, com déficit estimado em dezenas de milhões e propostas — como transferir a gestão de hospitais ao Estado — que suscitaram debates intensos.

Politicamente, Brunini não evitou a controvérsia: críticas públicas à UFMT geraram desgaste com a comunidade acadêmica, e seu estilo combativo, por vezes provocador, ampliou fissuras com opositores locais.

Por outro lado, iniciativas como a integração de Cuiabá em eventos internacionais e a busca por atração de investimentos externos tentam projetar a capital para além da agenda local, sugerindo uma visão estratégica de longo prazo.

Pesquisas recentes indicam aprovação modesta — em torno de 54% — diante desse cenário de ajustes e disputas políticas, um sinal de que parte da população reconhece esforços da gestão, mesmo que desafios continuem grandes.

O balanço de 2025 mostra uma administração que impressionou pela rapidez nas decisões, mas que também aprofundou divisões e enfrenta a necessidade urgente de traduzir austeridade em resultados concretos em serviços públicos essenciais, sob pena de ver a capital entrar em 2026 ainda em clima de tensão entre técnica fiscal e expectativas sociais.