Advogado de Cáceres-MT fala em "cortar cabeças de bolsonaristas em praça pública" em grupo do whatsapp

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Advogado de Cáceres-MT fala em "cortar cabeças de bolsonaristas em praça pública" em grupo do whatsapp

Mensagens enviadas na noite de quarta-feira (7) por Lindomar da Silva Rezende, advogado inscrito na subseção da OAB em Cáceres, provocaram forte repercussão entre colegas depois que prints da conversa vazaram para a imprensa. No grupo de WhatsApp ligado à Ordem, Rezende reagiu a uma postagem com xingamentos e, em seguida, escreveu: “Torço para que um dia possamos cortar cabeças de bolsonaristas em praça pública”, afirmando ainda que gostaria de ser “voluntário”. As mensagens também traziam expressões de deboche, como “Temos paninho para vender, caro Dr…” e “Hipócrita do caralho”.

O episódio, segundo relatos, teve início após a circulação de uma notícia sobre o senador Flávio Bolsonaro; os prints foram encaminhados à mídia local por participantes do próprio grupo. A publicação das imagens gerou “polêmica” e indignação entre advogados locais e em redes sociais, que qualificaram o teor das mensagens como incitação à violência e conduta incompatível com a advocacia.

Procurado pela reportagem, Lindomar afirmou que a mensagem foi disparada “em um grupo restrito a advogados” e disse que, “nesse caso, prefere não polemizar isso na imprensa”. A OAB-MT informou, por sua assessoria, que não recebeu até o momento denúncia formal ou pedido de apuração sobre o caso, o que impede o início automático de procedimento disciplinar pela Seccional. Ainda assim, fontes ouvidas nas subseções afirmam que a gravação das mensagens pode fundamentar uma representação futura e, se houver denúncia, ensejar atuação da corregedoria da OAB.

Especialistas em ética profissional consultados por veículos locais lembram que mensagens que defendem violência podem configurar falta disciplinar grave — passível de processos no âmbito da OAB e, dependendo do contexto, análise por autoridades policiais quanto a eventuais crimes de apologia ou incitação. A apuração formal depende, entretanto, de representação ou comunicação institucional aos órgãos competentes.

O caso escancara tensão entre liberdade de expressão em grupos privados e os limites éticos da advocacia. Enquanto parte da classe pede apuração rigorosa para preservar a imagem da profissão, outros defendem cautela até que se completem as investigações e se ouça formalmente o autor das mensagens. A subseção local da OAB e as instâncias superiores da Ordem foram procuradas por jornalistas para posicionamento; a expectativa é que, caso haja denúncia, procedimentos disciplinares e possíveis desdobramentos judiciais ocorram nas próximas semanas.