Academia sem mensalidade? “Meu Personal” inaugura em BH e propõe modelo inédito no Brasil

· 2 min de leitura
Academia sem mensalidade? “Meu Personal” inaugura em BH e propõe modelo inédito no Brasil

Uma nova proposta de negócio no setor fitness promete quebrar o modelo tradicional de academia com mensalidades fixas. A “Meu Personal”, inaugurada recentemente no bairro Sion (Centro-Sul de BH), é apresentada pelos seus idealizadores como um dos primeiros espaços do país em que o aluno não paga mensalidade — apenas o valor da aula ministrada pelo personal trainer, redefinindo a relação entre usuário e estabelecimento.

Modelo diferenciado no mercado fitness

Ao contrário de academias convencionais — que cobram uma tarifa mensal fixa independentemente da frequência — o Meu Personal funciona como um “coworking fitness”, em que personal trainers alugam o espaço por hora (entre R$ 30 e R$ 40) e determinam seu próprio preço por aula com os alunos.

“A ideia é valorizar o profissional e oferecer ao aluno uma experiência personalizada, sem custos que não reflitam diretamente no uso do serviço”, afirma a fundadora da iniciativa, Nayara Vasconcelos.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que o setor fitness brasileiro tem observado diversificação de modelos de negócios, incluindo academias com mensalidades variáveis e serviços sob demanda. De acordo com o relatório Panorama Setorial Fitness Brasil 2024, o mercado cresceu consideravelmente nos últimos anos, com expansão tanto de unidades como de modalidades de atendimento — contexto em que modelos alternativos têm espaço para prosperar.

Vantagens para profissionais e clientes

O personal trainer Fred Pantoja, primeiro franqueado do projeto, destaca que o espaço oferece recursos profissionais (como avaliação física e estrutura para gravação de conteúdo) que muitas academias tradicionais não permitem sem custo extra ou sem congestionamento de usuários.

“Os custos de operar dentro de academias convencionais são altos e muitas vezes indefinidos — aqui eu posso precificar minhas aulas diretamente e manter o lucro e o controle do meu trabalho”, afirma.

Clientes também veem vantagem no modelo. Ao pagar apenas pelas aulas que realmente utilizam, evitando mensalidades que acabam sendo desperdiçadas por falta de frequência, a experiência fica mais alinhada ao consumo efetivo do serviço.

Ambiente competitivo e futuro de franquias

Apesar de inovador, o modelo de negócios de “Meu Personal” ainda terá de enfrentar competição com diversas academias tradicionais e redes que dominam o mercado. Em Belo Horizonte, por exemplo, academias como Única Gym, que cobram mensalidades recorrentes de modelos tradicionais de musculação e aulas, ainda representam o padrão mais comum de acesso ao fitness.

Outros estabelecimentos, como marcas de franquias em expansão, apostam em modelos híbridos ou com foco em serviços específicos, mas ainda dentro da estrutura de mensalidade fixa ou planos pré-estabelecidos — como mostram diversas redes de academias em Minas Gerais e no restante do Brasil.

Expansão e impacto no mercado

Os idealizadores do “Meu Personal” pretendem abrir até 10 novas unidades em 2026, começando pela capital mineira e depois expandindo para outras cidades brasileiras, com investimento estimado em até R$ 120 mil por franquia e projeção de faturamento médio de R$ 50 mil mensais.

Analistas de mercado avaliam que modelos flexíveis como esse podem atrair especialmente públicos que buscam custos menores e maior autonomia na contratação de serviços fitness, além de profissionais que querem reduzir custos operacionais e ampliar o controle sobre sua clientela — tendência que vem sendo observada em segmentos ligados ao bem-estar e economia criativa.

No entanto, a adoção em larga escala dependerá da capacidade dessas unidades replicarem qualidade, segurança e resultados que muitos consumidores associam às grandes academias, além da adoção de tecnologias que facilitem o encontro entre personal e alunos, como aplicativos de agendamento e pagamento direto.

O surgimento da “Meu Personal” em BH sinaliza uma possível transformação no setor fitness brasileiro, que busca cada vez mais modelos flexíveis, acessíveis e orientados tanto ao profissional quanto ao aluno — em um mercado em constante expansão.