92% dos pedidos de refúgio no Brasil em 2025 foram de venezuelanos; Roraima e Amazonas são destinos preferidos

· 1 min de leitura
92% dos pedidos de refúgio no Brasil em 2025 foram de venezuelanos; Roraima e Amazonas são destinos preferidos

O Brasil registrou em 2025 um volume significativo de solicitações de refúgio, com destaque para a participação de venezuelanos entre os pedidos encaminhados às autoridades brasileiras. Segundo dados consolidados pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), 92% dos pedidos de refúgio aprovados no ano foram feitos por cidadãos venezuelanos — um total de 7.228 de 7.882 pedidos no período.

A concentração dessas solicitações é expressiva nos estados da faixa de fronteira com a Venezuela: Roraima e Amazonas foram os mais procurados pelos solicitantes, com 5.863 registros em Roraima (cerca de 81% do total) e 583 em Amazonas (8%).

No município de Pacaraima (RR), cidade que faz fronteira direta com a Venezuela e serve como principal ponto de entrada terrestre para o Brasil, foram feitos cerca de 4.000 pedidos de refúgio de venezuelanos, o que representa 55% dos registros nacionais no ano passado.

Especialistas em migrações destacam que isso reflete tanto a prolongada crise socioeconômica na Venezuela quanto a importância do Brasil como país de acolhida na América do Sul. A Operação Acolhida, ação humanitária coordenada pelo governo federal com apoio de agências internacionais para receber e atender venezuelanos, tem sido fundamental para dar suporte logístico e assistencial em pontos como Pacaraima e Boa Vista, em Roraima, e também em Manaus, no Amazonas.

Relatórios oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o Brasil tem reforçado mecanismos de documentação, atendimento médico, abrigo e interiorização para migrantes e refugiados, com foco em reduzir riscos nas rotas migratórias e ampliar oportunidades de integração social e de trabalho.

Os números de 2025 mantêm uma tendência já observada nos últimos anos: os venezuelanos têm sido a principal nacionalidade solicitante de refúgio no Brasil, o que coincide com décadas de fluxos migratórios intensos motivados pela crise prolongada no país vizinho. Enquanto outros países também aparecem nas estatísticas — como Afeganistão, Colômbia e Síria — a magnitude dos pedidos venezuelanos destaca o papel humanitário do Brasil no continente.

O fenômeno representa desafios para as políticas públicas brasileiras, que precisam conciliar a proteção humanitária com a oferta de serviços públicos e a integração socioeconômica em estados que enfrentam pressão migratória contínua.